Confiança no imobiliário melhora

Confiança no imobiliário melhora, mas mantém-se negativa

De acordo com o Portuguese Housing Market Survey (PHMS) de outubro, no mercado de compra e venda de habitação em Portugal, os promotores têm reportado, no geral, quedas de preços menos acentuadas que os agentes de venda. Tla sugere que o mercado de construção nova, ainda que sob pressão, se está a aguentar ligeiramente melhor do que o mercado de habitação usada.

Este mercado continuou a registar uma descida das transações e uma quebra dos preços, embora no caso dos preços a queda tenha abrandado em outubro. O saldo de respostas nacional relativo a preços melhorou face a setembro, com 60% dos respondentes a observar mais quedas do que aumentos de preços, face a 80% no mês anterior.

A queda da procura continua a ser o principal motor da descida dos preços, já que a oferta, medida pelas instruções de venda, têm vindo a evidenciar uma tendência de contração desde dezembro de 2010, o que terá ainda a ver com o facto de o volume de construção de habitação no período que antecedeu a crise não ter sido significativamente excessivo.

Em termos de confiança, ainda que continue negativo, o índice de confiança nacional – que analisa os preços e as expectativas relativas a vendas – melhorou cerca de 4 pontos, mantendo-se, contudo, em -54, um nível marcadamente negativo.

No que se refere ao mercado de arrendamento, a procura continuou a subir e as expectativas relativas a transações mantêm-se positivas. As dificuldades no acesso ao crédito para a compra de casa continuam a impulsionar o mercado de arrendamento. Os valores das rendas, contudo, têm vindo a descer e as expectativas em relação à sua evolução mantêm-se negativas, uma tendência que reflete, sobretudo, um excesso de oferta no mercado.

Ricardo Guimarães, Diretor da Ci: “A falta de confiança é, segundo os agentes que operam no mercado imobiliário, o principal problema. Está a afetar a credibilidade do mercado junto de potenciais compradores, pelo menos junto dos que procuram comprar uma casa para viver. Pelo contrário, no arrendamento, a entrada em vigor da nova lei das rendas começa a ter impacto positivo nas expectativas relativas a este sector.”

Josh Miller, Economista Sénior do RICS: “ Em Portugal os preços das casas continuam a cair devido à fraca procura, sendo que o excesso de oferta não se apresenta como um problema. Por sua vez, a fraca procura resulta da deterioração do mercado de trabalho e da redução observada na concessão de crédito. Enquanto a preferência das famílias se tem voltado para o arrendamento, as rendas continuam a cair e a expectativa dos respondentes é que a tendência permaneça. As restrições no acesso ao crédito, o excesso de stock no mercado de arrendamento e um possível desajustamento entre a oferta e a procura neste mercado são fatores a considerar.”